|
HIP
HOP
Hip-hop
é um movimento cultural iniciado no final da década
de 1960 nos Estados Unidos que trata sobre os conflitos sociais
e da violência urbana vividos pelas classes menos favorecidas
da sociedade, com temas como a cultura das ruas, dos guetos,
miséria, polícia. É um movimento de reinvidicação
de espaço e voz, traduzido nas letras questionadoras
e agressivas, no ritmo forte e intenso e nas imagens grafitadas
pelos muros das cidades.
O
hip hop como movimento cultural é composto por quatro
elementos (atividades): o canto do rap, a instrumentação
do DJ, a dança do break dance e a pintura do grafite.
A música hip hop refere-se aos elementos rap e DJ,
sendo que o termo "hip hop" é também
usado como substituto para o rap.
No
Brasil, esse estilo mostra a realidade dos jovens negros e
pobres de cidades grandes, como Rio de Janeiro e São
Paulo, numa forma de discussão e protesto que envolve
o preconceito racial e a miséria dessa população
discriminada, ignorada e excluída. O hip-hop, nesse
sentido, é o grito que pede para ser ouvido, a fim
de modificar a vida de jovens que, a princípio, parecem
sem esperança e sem força para romper com essa
realidade.
História
O
hip-hop emergiu no final da década de 1960 nos subúrbios
negros e latinos de Nova Iorque. Estes subúrbios, verdadeiros
guetos, enfrentaram todo tipo de problemas, como pobreza,
violência, racismo, tráfico de drogas, carência
de infra-estrutura e de educação, entre outros.
Os jovens encontravam na rua o único espaço
de lazer, e geralmente entravam num sistema de gangues (quem
fazia parte de algumas das gangues, ou quem estava de fora,
sempre conhecia os territórios e as regras impostas
por elas), as quais se confrontavam de maneira violenta na
luta pelo domínio territorial.
Esses
bairros eram essencialmente habitados por imigrantes latinos,
vindos principalmente da Jamaica. Por lá existiam festas
de rua com equipamentos sonoros muito possantes que eram chamados
de Sound System e em alguns lugares com carros de som chamados
de "sound systems" (carros equipados com equipamentos
de som, parecidos com trios elétricos). O Sound System
foi levado para o Bronx em Nova Iorque pelo DJ Kool Herc,
que com doze anos migrou para os Estados Unidos com sua família.
Junto, Herc levou o Toast (modo de se cantar bem parecido
com o rap, com levadas bem fraseadas e rimas bem feitas, muitas
das vezes bem politizadas e outras banais e sexuais, cantadas
em cima de reggae instrumental).
Neste
contexto, nasciam diferentes manifestações artísticas
de rua, como música, dança, poesia e pintura.
Os DJs Afrika Bambaataa, Kool Herc e Grand Master Flash, GrandWizard
Theodore, GrandMixer DST (hoje DXT), Holywood e Pete Jones,
entre outros, observaram e participaram destas expressões
de rua, e começaram a organizar festas nas quais estas
manifestações tinham espaço, assim nasceram
as Block Parties.
Cada
gangue encontrava na arte uma forma de canalizar a violência
a que viviam submersas, e passaram a freqüentar as festas
e dançar break, competir com passos de dança
e não mais com armas. Essa foi a proposta de Afrika
Bambaataa, considerado hoje o padrinho da cultura hip-hop,
o idealizador da junção dos elementos, criador
do termo hip-hop e por anos tido como "master of records"
(mestre dos discos), por sua vasta coleção de
discos de vinil.
DJ
Hollywood foi um DJ de grande importância para o movimento.
Apesar de tocar ritmos mais pop como a discoteca, foi o primeiro
a introduzir em suas festas MCs que animavam com rimas e frases
que deram início ao rap. Os MCs que animavam as festas
passaram a fazer discursos rimados sobre a comunidade, à
festa e outros aspectos da vida cotidiana. Taki 183, o grande
mestre do Pixo, fez uma revolução em Nova Iorque
ao lançar suas "Tags" (assinaturas) por toda
cidade, sendo noticiado até no New York Times da época.
Depois dele vieram Blade, Zephyr, Seen, Dondi, Futura 2000,
Lady Pink, Phase 2, entre outros.
Em
12 de novembro de 1973 foi criada a primeira organização
que tinha em seus interesses o hip hop, cuja sede estava situada
no bairro do Bronx. A Zulu Nation tem como objetivo acabar
com os vários problemas dos jovens dos subúrbios
e ainda tem a crença em alienígenas (ainda que,
posteriormente, tenha adquirido caráter universal),
especialmente com o problema da violência. Começaram
a organizar "batalhas" não violentas entre
gangues com um objetivo pacificador. As batalhas consistiam
em uma competição artística.
No
Brasil
O
berço do hip hop brasileiro é São Paulo,
onde surgiu com força nos anos 1980, dos tradicionais
encontros na rua 24 de Maia e no metrô São Bento,
de onde saíram muitos artistas reconhecidos como Thaíde,
DJ Hum, Styllo Selvagem, Região Abissal, Nill (Verbo
Pesado), Sérgio Riky, Defh Paul, Mc Jack, Racionais
MCs, Doctors MCs, Shary Laine, Mt Bronks, Rappin Hood, entre
outros.
Atualmente
existem diversos grupos que representam a cultura hip hop
no país, como Movimento Enraizados, MHHOB, Zulu Nation
Brasil, Casa de Cultura Hip Hop, Associação
de Hip Hop de Bauru, H2P, Cedeca, Cufa (Central Única
das Favelas), entre outros.
(artigo
retirado da enciclopédia Wikipédia) |